quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sobre 'abraçar o mundo'

http://migre.me/jTOT7
"I am a little bit insecure 
A little unconfident 
'Cause you don't understand
 I do what I can 
But sometimes I don't make sense"
(Linkin Park - Faint)

“Abraçar o mundo”. Essa é a expressão que minha mãe usa uma vez por mês para retratar minha insistente mania de querer fazer mil coisas ao mesmo tempo – e de me sentir culpada se eu falhar em alguma delas.

Sempre fui assim. Eu tinha 15 anos quando minha professora me mandou à psicóloga da escola depois de um surto de choro. “Deixa eu recapitular: você cursa o Ensino Médio de manhã, faz curso técnico durante a tarde, divide as noites entre a yoga [sim, fazia yoga com 15 anos, e daí?] e o curso de modelo [não vamos falar sobre isso, por favor], e aos sábados ainda tem o inglês?”. Eu disse para ela que não era por isso – TUDO isso – que eu estava chorando. Ela respondeu que não era mesmo. “É porque você não suporta não ser a melhor em tudo que faz.”

Bom, pelas minhas contas hoje já fazem quase sete anos que eu sei disso. E não, não mudei. Melhorei bastante [eu acho], mas ainda sou a mesma perfeccionista com mania de abraçar o mundo, como tão bem me lembra a minha mãe.

Às vezes eu preciso respirar fundo e entender que eu não preciso ser a miss perfeição ou superação. E repetir quinhentas vezes a mim mesma que eu não preciso cair na armadilha de quem me chama para a competição [“não quero ser melhor que você, amigx, então vão vou entrar nessa, desculpa”].

Hoje minha vida é bem mais atarefada que há sete anos. Eu trabalho em uma redação que tem um ritmo frenético [e eu amo, amo, amo isso], estou em época de TCC na faculdade, faço academia, yoga, corro, tenho um freela, um blog e outras cositas más [tipo família, amigos e namorado]. Ainda assim, me falta tempo para a outra língua que quero aprender, para a aula de luta, de dança... Tanta coisa!

Continuo tendo surtos de choro a ansiedade por isso. E continuo tendo comichões e atacando a geladeira freneticamente toda vez que me vejo em casa, sozinha, sem fazer nada [descansar me torna alguém inútil ao meu ver]. Mas uma coisa eu aprendi: não dá para ser a melhor em tudo.

Ainda que eu não tenha perdido a mania de abraçar o mundo e continue me cobrando a perfeição, aceito melhor as minhas falhas e perdoo minhas culpas. Sei que sou muito boa em muitas coisas e tento aliviar minha barra quando vejo que não consigo ser a melhor nas outras.

É um exercício diário de autoconhecimento e autocensura [das boas] também. Posso não ser perfeita, mas não dá pra dizer que não sou esforçada também. 

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