terça-feira, 3 de junho de 2014

Sobre prisão e perdão

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"E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial perdoe os seus pecados. Mas, se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados". 
(Marcos 11:25-26)

Não te perdoei. Acho que talvez eu nunca vá perdoar. E hoje, 3 de junho de 2014, eu estou, oficialmente, me livrando da culpa de nunca ter perdoado.

Me ensinaram que o maior ato de amor é o perdão. Talvez seja. Perdoar é um ato de amor próprio.

Superar o mal que você me fez não foi tão difícil como eu imaginei, mas também ficou longe de ser fácil. Ainda assim, foi possível. Mas te perdoar... Não é. Não por enquanto.

Escrevo esse texto como quem assina a confissão de um crime. O crime de não ser tão perfeita como as divindades desejam e nem como as pessoas constantemente me cobram. O crime de pecar pela falta de leveza ou pureza. Desculpem, também tenho cicatrizes.

Mas, veja bem, estou no caminho certo. Me perdoar por não ter te perdoado é o primeiro passo para deixar de gastar energia vital com esse não perdão. É a primeira etapa para simplesmente deixar isso ir.

E isso, definitivamente, tem que ir.

Enquanto uns sonham com o dia do casamento, da formatura ou do batizado do primeiro bebê, eu, hoje, só sonho com um dia em que isso parta. O dia em que eu acorde sem precisar lidar com isso.

Vai ser bom para nós. Eu me liberto e assim te liberto também. Você também quer se libertar, eu sei. Ainda que as algemas sejam invisíveis, preciso, de uma vez por todas, me livrar de você.

Hoje eu deixo a culpa ir embora para, amanhã, deixar você ir também. Hoje eu entendo, de uma vez por todas, que não te perdoar não é pecado. Entendo que talvez, um dia, isso vá acontecer – eu sei que vai -, mas que eu não preciso sentir vergonha por isso ainda não ter acontecido.

Dizem que não saber perdoar é fraqueza, mas sei que o simples fato de ter sobrevivido a tudo já me faz forte. O resto há de vir com o tempo. Te juro que esse meu coração ainda vai se encher de paz ao lembrar de você.

Mas hoje... Hoje ainda há mágoa. Desculpe. Eu já me perdoei.

Dedicatória: A todos aqueles que eu não perdoei. A todos aqueles que não me perdoaram. A todos aqueles que se mantém e me mantém presos na obsessão do não perdão. Se perdoem.

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