quinta-feira, 3 de julho de 2014

Gratidão

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"Yoga não é sobre tocar seus dedos do pé, 
é sobre o que você aprende no caminho para baixo."


Era terça-feira, nove horas da manhã e eu estava me esforçando ao máximo para conseguir fazer aquele ásana na aula de yoga. Era uma daquelas posições que exigem alongamento, força e persistência.

O melhor dessas posições complicadas é que, logo após, vem uma bem mais confortável. A gente chama de “compensação”.

Estávamos sentadas e a professora pediu para que a gente abraçasse os joelhos.  “Se abrace. Se dê um abrace de amor”.

Eu me abracei. E foi então que uma enxurrada de pensamentos me veio à cabeça. Comecei a repeti-los para mim mesma.

“Sabe, Bárbara, eu gosto de você. Pode parecer que não, mas eu juro que gosto. Queria te agradecer por me dar esse corpo que me permite fazer diversas coisas. Posso levá-lo para onde quero, me locomover sem maiores problemas, praticar esportes e estar aqui na aula de yoga hoje. Também quero agradecer pela sua personalidade. Eu sei que tenho prestado mais atenção nos seus defeitos do que nas suas qualidades atualmente, mas você é uma boa pessoa, sabe? Ainda que eu esteja nessa cruzada, querendo melhorar cada pequeno defeito ou falha, falando sobre eles, analisando-os incansavelmente e etc, eu juro que reconheço tudo de bom que há em você. Te acho mesmo uma boa amiga, leal, companheira, solidária e etc. Desculpa não pensar sobre isso mais vezes. Desculpa não te falar mais vezes o quanto você é legal. Desculpa se acabar com seus defeitos tem parecido mais importante do que exaltar suas qualidades. Mas te abraçando assim, eu reconheço isso. Reconheço que eu te amo muito, muito mesmo. Reconheço que você é meu lar, minha alma, meu eu. Eu te amo. Prometo que vou cuidar melhor de você e te lembrar dos meus sentimentos bons mais vezes. Te juro. Não esquece.”

E foi assim que eu parti para o próximo ásana. E foi assim que eu resgatei minha conexão comigo mesma. Nem sei há quanto tempo eu a tinha perdido mas, naquele momento, me pareceu que foi há décadas. Não lembro de ter me amado tanto assim antes, de maneira tão sincera, profunda, tão pura.

Nas últimas semanas tenho me deparado constantemente com o sentimento de gratidão. Gratidão por ter me livrado de coisas e pessoas desnecessárias, que não me servem mais, não agregam nada, não me fazem bem. Gratidão por ter ganhado mais foco, paciência e serenidade no dia a dia.

Gratidão por me sentir rodeada de bons amigos, que me amam, me protegem, me querem bem. Gratidão pelo apoio da minha família e pelos resultados do meu trabalho.

Gratidão a Deus por ter me aberto os olhos para tudo isso e, pela primeira vez, gratidão a mim mesma por ter me permitido conseguir. Eu descobri que sou capaz e sou muito grata por isso!

A vida tem me mostrado nas pequenas coisas do dia a dia o quanto ela pode ser boa, tranquila e vitoriosa. E eu, ineditamente, estou entendendo, aprendendo, aceitando.

Estou agradecendo. Estou me amando. Estou feliz.

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