segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ode à transformação



Por Mariana Bisonti

Gosto mais de filmes parecidos com a vida cotidiana, onde pequenos acontecimentos podem ter um grande poder de transformação. Essas transformações não são visíveis a olhos distraídos. É preciso tirar um pouco os olhos da tela do smartphone para notar a riqueza dessas histórias, que não são fabricadas para todo mundo querer comprar, que vão afetar quem se deixar tocar por algo simples e profundo. 

Histórias que não tem a pretensão de agradar, mas de provocar algo novo. Histórias que aconteceram e podem acontecer todos os dias; de personagens tão verossímeis que a gente poderia ter conhecido, ou até mesmo ser. Pessoas que encontram o extraordinário em meio a repetição. Que não se deixaram vestir as lentes de tédio da vida adulta, e preservam o olhar fascinado de uma criança. Aquele brilho de curiosidade e interesse pela vida.

Quando é que a cara de blasé virou tendência? Quem inventou que indiferença é chique, superior? A gente adora fingir que é imune a tudo, que não se importa com nada.

Nosso olhar blasé para o novo esconde um tremendo medo da transformação, o que não justifica nossa apatia. Aquelas pessoas que ainda enxergam o mundo como uma constante descoberta, são pessoas comuns, também sentem medo do novo, da mudança, mas não se deixam paralisar. Não se deixam estagnar. Talvez esse seja o segredo da juventude eterna.

“Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.” (Martha Medeiros)


Observação: Esse texto faz parte da parceria do Clipe Sem Nexo com o blog  Cult me, please. Toda última segunda-feira do mês fazemos um "intercâmbio de textos". Não perca os próximos e veja aqui os antigos.

E veja lá o texto deste mês, que desta vez é inédito!

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