sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Meu silêncio

http://migre.me/kKxGf
"Há quatro coisas que não voltam atrás: 
a pedra, depois de solta da mão; 
a palavra, depois de proferida; 
a ocasião, depois de perdida; 
e o tempo, depois de passado."
(Autor desconhecido)

Gosto de ficar o maior tempo possível em silêncio depois que medito. Sempre tenho a impressão de que falar faria todo aquele estado de paz e plenitude se esvair. Tento guardar o sossego dentro de mim, longe das cordas vocais.

Dia desses, uma amiga me deu uma das notícias mais tristes que já recebi. Fiquei em silêncio também. E enquanto eu permaneci calada, controlei todas as minhas emoções. Mas foi repetir aquilo em voz alta para que as lágrimas saltassem incansavelmente dos meus olhos. Não pude mais controlar.


Quando era criança e eu e minha mãe brigávamos, constantemente deixávamos cartas debaixo do travesseiro uma da outra. Era o nosso melhor meio de comunicação. Sabíamos que, se conversássemos, acabaríamos discutindo mais.


Eu ainda tenho frequentemente o desejo de fazer a mesma coisa com outra pessoas: mandar e-mails, cartas, telegramas com tudo que eu preciso dizer. Nunca me dei bem com palavras ditas em alto e bom som.


Por diversas vezes acabo perdendo o controle. As palavras saem, as vozes se exaltam, a serenidade se vai. Sabe aquela frase que diz que 1% das brigas acontecem pelo que é dito, e 99% pelo modo de falar ou pelo tom de voz? Me identifico.

Houve uma vez em que eu um ex-namorado cogitamos deixar palavras doces gravadas em algum lugar para ouvirmos sempre que perdêssemos o controle em nossas frequentes discussões.

Pode ser só falta de controle emocional. E talvez seja. 

Quando meu avô morreu, meu maior arrependimento foi quase nunca ter dito em voz alta o quanto eu amava como um pai. Sofro porque ainda não consigo fazer isso constantemente com minha mãe ou minha avó. 

Lembro até hoje de como me senti quando minha mãe disse que eu estava "gordinha". Da mesma forma, me recordo com amor de como ela disse que eu estava "maravilhosa" na formatura do ensino fundamental.

Tenho boa memória com palavras. Guardo conversas, lembro de ofensas, me recordo de elogios. O que às vezes é ruim. Em certos momentos me pego analisando discursos em busca de declarações (sejam elas boas ou ruins) que nem sempre estão lá. Estou - quase - sempre na defensiva. 

Sempre fui fiel à máxima de que palavras, depois de ditas, não voltam atrás. Acho que é por isso que tenho tanto melindre com elas. O som de algumas delas nunca param de ecoar. 

Também tenho pavor de gritos. Choro, me desespero e tenho crises de ansiedade. Não gosto de ir dormir depois de uma briga porque odeio a possibilidade de que palavras duram sejam a última lembrança de alguém.


No fim, acredito mesmo que poucas coisas são tão devastadoras quanto uma palavra. Principalmente, se dita em voz alta. 


Então, eu peço: cuide bem do que diz.

4 comentários:

  1. E não é que o silêncio é sempre a melhor resposta?
    Senti na pele recentemente o ardor de dizer em voz alta o que penso, é melhor ficar calada, apenas observando.

    Beijo

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    1. É, Ariana. Ás vezes um silêncio responde mesmo todas as questões. :')

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  2. E, mais uma vez, catarse total <3 Gratidão.

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