segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O primeiro Dia dos Pais


"Família é quem você escolhe pra viver 
Família é quem você escolhe pra você"
(O Rappa - Não Perca As Crianças de Vista)

Quando eu entrei na loja, não sabia onde ir primeiro. Olhei os CDs, mas não fazia ideia do que ele gostava de escutar, passei os olhos pelo livros mas não tinha certeza que ele gostava de ler. Tampouco sabia suas medidas para escolher um moletom ou um sapato. Acabei optando por algo nada original, mas que todo mundo gosta: chocolate.

Foi a primeira vez em quase 22 anos que eu tinha a missão de escolher um presente de Dia dos Pais para meu pai. É a primeiro data que eu tenho lembrança de passar com ele.


Acho que foi por isso que senti tanta saudades do meu avô ontem. Todos os presentes de Dia dos Pais que um dia eu escolhi, foram para ele. As lembrancinhas artesanais que eu fazia na escola, também. Meu avô sempre foi o cara, o homem da casa, um pouco - na verdade, muito – meu pai.


Peguei a caixa de chocolates e mais dois presentes para crianças. Um era pra minha prima, a mais nova bebê da família. O outro, era pra minha irmã. Também seria o primeiro Dia dos Pais que eu passaria com ela.


Passei na casa do meu pai e peguei os dois e minha tia. O carro ficou cheio. Pensei em como era estranho e diferente fazer um passeio em família com eles. Tenho poucas lembranças de outros anteriores.


Acho que acertei no presente das cr
ianças. Meu pai também gostou do chocolate e entendeu quando eu disse que foi difícil escolher algo de que ele gostasse – já que eu nunca o conheci como deveria.

Por diversas vezes, parei para pensar em como é possível se sentir em casa quando estamos com nosso familiares, mesmo que eles ainda pareçam desconhecidos às vezes. Talvez esse negócio de sangue faça mesmo diferença.

Disse para minha irmã, que tem apenas 4 anos, que eu senti saudades dela – a última vez que a vi tinha sido no começo do ano, no seu aniversário. Ela respondeu “eu também”. Sorri. Sempre que a vejo tenho medo que ela não me reconheça. Mas ela sempre ri, me abraça e me chama de “Brábara”.


Ao sair do almoço, fui buscar minha mãe no aeroporto. Ela chegou de viagem com o namorado e eu estava com saudades (afinal, ela sempre foi meu pai, minha mãe, meu tudo). O carro ficou cheio novamente, mas dessa vez era normal. Sentei no banco de trás e nada me parecia fora do lugar.


Percebi que é fácil se sentir em casa com a família que crescemos conhecendo, mas que também não é tão difícil assim quando é com uma família que ainda precisamos conhecer. Só precisa existir, de um jeito ou de outro, amor.


Foi o primeiro Dia dos Pais que passei com o meu pai. Uma prova de que a vida sempre nos dá a chance de recomeçar e não para nunca de surpreender.


É bom ter duas famílias, afinal. E elas nem sempre precisam ser perfeitas.

Observação: que todo dia seja dia dos pais, das mães, dos avôs e das avós. Que todo dia seja dia da família.

4 comentários:

  1. Palmas pelo texto. E alegria pela sua felicidade. ;)

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    1. Você é o melhor amigo desse mundo. Obrigada, Lu! ♥

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  2. Bárbara!! Parabéns pelo texto, não te conheço muito bem e nem a sua história, mais me emocionei pelo texto!! Parabéns!!

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    1. Nath, quanto tempo! Fico feliz que o texto tenha te tocado. Muito obrigada!

      Volte quando quiser. (:

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