quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um sopro


"'Ainda temos tempo até tudo explodir' 
Quem sabe quanto vai durar?"
(Pitty - Semana Que Vem)

No dia em que a tragédia da morte de Eduardo Campos ocorreu, eu tinha discutido com meu namorado. Coisa boba, nada sério. Quando a gente se despediu com aquele tchau “atravessado” de quem diz “eu te amo, mas estou irritado(a)”, eu pensei duas vezes. “E se essa for a última vez que a gente se vê?”.

Quando eu era mais nova, assisti o filme “Click” semanas depois da morte de um dos meus melhores amigos. Eu tinha só 15 anos e alaguei minha sala em lágrimas. Passei os dias seguintes sendo a filha e neta amorosa que não costumo ser. Dizia “eu te amo” a cada “boa noite”. Minha avó chegou a perguntar para minha mãe o que tinha acontecido. Ela disse que eu deveria ver o filme toda semana.

Coisa parecida também aconteceu na época da tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria. Aquela sensação de que “poderia ter sido comigo” não me abandou por dias. Por diversas vezes entrei em casas de shows e baladas lembrando disso.

A morte não é atípica. É regra, não exceção. Ainda assim, por muitas vezes, uma grande tragédia precisa acontecer para que a gente lembre que a tal da vida é mesmo um sopro. Um dia, inevitavelmente, ela acaba.

Há pouco tempo entrevistei uma pessoa que me disse que na morte de seu pai ele realizou um coquetel em vez de um velório. “A gente celebra a vida, não a morte”, disse. Dia desses me peguei pensando que também não adianta muito celebrar a vida só depois que ela acaba.

Grandes perdas sempre me fazem repensar valores e, principalmente, mágoas. A gente passa tanto tempo magoado ou com raiva de alguém que, às vezes, em horas difíceis, mal podemos expressar um desejo de força. Ou ficamos distantes de pessoas que gostamos e as vemos partir sem ter chance de fazer as pazes.

O preço de se importar com tão pouco pode ser alto. Assim como o preço de ver a vida passar sem ter feito grandes coisas, ter realizado sonhos e deixado boas lembranças. É tão clichê quando dizem que “não devemos deixar para amanhã o que se pode fazer hoje”, mas é tão verdade. O amanhã não nos pertence, afinal.

Este ano eu perdi alguém pelo qual tinha muito apreço - muito mesmo. Também vi alguns grandes ídolos partirem. Acompanhei pelo noticiário mortes trágicas que abalaram um país. E é por cada uma dessas pessoas, pela comoção que nos causa sua partida e pela saudade que fica no peito que a gente tem que fazer valer cada vez mais cada dia das nossas vidas.

Um dia, inevitavelmente, ela acaba.

2 comentários:

  1. Minha mãe fala que devemos demonstrar afeto por alguém é enquanto estão vivos, porque depois que morrem não adianta nada, acho que ela fala isso querendo entrar no ditado do "a gente celebra a vida, não a morte"
    Devemos aproveitar cada segundo e abandonar as mágoas.

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  2. A vida é tão curta, não é? Melhor se agarrar a ela sem tempo a perder! ♥

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