terça-feira, 7 de julho de 2015

O imutável (não existe)

http://migre.me/qGwud
"So everything changes 
And nothing stays the same"
(SOJA - Everything changes)

Quando comecei a ficar com meu primeiro namorado, uma das minhas melhores amigas na época me perguntou se eu achava que aquilo tinha futuro—e obviamente não tinha, porque eu tinha menos de quinze anos. Ainda assim, lembro da minha resposta até hoje: “Deve ter. Não vejo motivos para a gente terminar. Por que os casais terminam?”.

Toda vez que vejo um relacionamento chegar ao fim, me lembro disso. E me espanto com a quantidade de motivos pelos quais os casais terminam. Me espanto muito porque alguns, inclusive, sequer precisam de motivo.

Quando eu tinha menos de quinze anos e disse isso para minha amiga, eu deixei de levar em consideração apenas uma coisinha: a vida não é imutável. Nunca foi, não é, jamais será. Ela muda a todo momento, assim como as pessoas e seus pensamentos, objetivos e vontades. Pode parecer assustador, mas o amor da sua vida hoje pode simplesmente não sê-lo mais quando você acordar amanhã.

Ok. Talvez esse tipo de coisa não aconteça assim, de uma hora para outra—ou talvez aconteça -, mas pode acontecer quando você menos espera e, principalmente, sem que você entenda o porquê.
Casais terminam porque deixam de se amar, porque o amor a dois é soterrado pelo amor próprio (ou pelo egoísmo), porque os objetivos se tornam diferentes, porque o amor vira amizade... Porque tudo, tudo mesmo, pode mudar.

Aí bate o desespero e você se esquece mais uma vez da mesma coisinha: A VIDA NÃO É IMUTÁVEL. O desespero que você sente hoje não vai durar para sempre. Talvez nem o término dure. E se durar, isso pode não ser tão devastador daqui a alguns meses.

Nunca esqueço de uma historinha que li em um jornal quando eu era pequena. Um rei pediu a um sábio que escrevesse em seu anel algo que fizesse sentido tanto nos momentos  bons quanto nos momentos ruins. Ele escreveu “tudo passa”, para que servisse de alento nos momentos maus e de alerta nos tempos de bonança.

Eu, que sempre tive o péssimo ato de achar que tudo é eterno e imutável, tento lembrar disso todos os dias: que nada é irreversível (além da morte), que tudo muda, que tudo passa. É no que eu tento me apegar quando preciso tomar aquelas decisões difíceis, que se tornam mais difíceis ainda quando penso que são irreversíveis. Elas simplesmente não são.

O momento ruim vai passar. O momento bom, provavelmente, também. Seguimos firme nos altos e baixos da montanha-russa sem fim. Quem me conhece, sabe: eu adoro montanha-russa.

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