quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Escolher, merecer, precisar

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A gente sabe desde criança que entre o branco - a luz - e o preto - a escuridão - há dezenas de cores. Sabemos também que entre o 8 e o 80 há mais uma dezena de números. Entre o certo e errado, dezenas de valores, de príncipios, de verdades e meia-verdades. E entre o grito que parte do peito e o silêncio que cala a voz... Entre esses dois, há centenas de coisas não ditas.

Não sei quanto tempo faz que a vida tem me ensinado a silenciar sem calar. Mas sei que há poucos meses, comecei a perceber. 

A primeira lição foi entender que nada se cala. Se a voz falha, o corpo grita de outras formas. E se o corpo grita, a energia berra. Berra tanto que é ouvida de longe. Quando o berro é sereno, chama a paz. Quando é aflito, chama a guerra. A lei do retorno é muito mais do que palavras jogadas ao vento. A lei do retorno é energia.

A segunda lição, então, foi aprender o que é serenidade e aceitar que estar serena não significa estar muda ou impotente. Significa não perder a paz. Significa detê-la, mantê-la, possuí-la. Torná-la sua e de mais ninguém. Significa sorrir quando tudo está demoronando porque a sua paz se mantém contigo.

Chegamos à terceira. Afinal, como se ri quando o mundo está caindo ao seu redor? Com duas letras e um acento agudo: . Fé em Deus, fê em você, fê no universo, fé no que quiser crer. Fé na energia, aquela que traz tudo que você chama. 

As coisas não vão dar certo. As coisas já estão dando certo. O melhor não vai acontecer porque o melhor já aconteceu. Continua acontecendo. É que entre o melhor e o pior há dezenas de escalas pessoais e intransferíveis, inclusive entre a matéria e o espírito.  

Foi dezenas de vezes depois de berrar "eu não mereço" que eu entendi que a vida até hoje só me trouxe o que eu precisei. E nem sempre o que eu precisei foi bonito, calmo e bom. Nem sempre foi o certo para a matéria. Mas sempre, sempre mesmo, foi o certo para o meu espírito. Para que hoje ele entendesse que eu mereci, sim. Eu mereci porque eu escolhi.

Eu escolhi sofrer. Eu escolhi chorar. Eu escolhi me importar. Eu escolhi as pessoas com as quais um dia eu me envolvi. Eu escolhi os caminhos que segui. O controle remoto da vida nunca esteve nas mãos de outra pessoa. Eu posso aceitar isso de frente ou posso continuar gritando aos quatro cantos que "não, eu não mereço, eu não aguento, eu não consigo", mesmo sabendo que até hoje nunca estive desamparada.

A vida, lentamente e gradativamente, foi me preparando para o momento no qual eu me encontro agora. E sei que eu não poderia seguir a jornada que me espera (e que eu escolhi!) se meu espírito e matéria não tivessem finalmente se encontrado. E se encontraram. Se respeitam. Caminham juntos, lado a lado, para o que tiver que ser, para o que eu, agora em unidade, escolher. 


"Não misturo, não me dobro
A rainha do mar anda de mãos dadas comigo
Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim
É do ouro de Oxum que é feita a armadura que guarda meu corpo
Garante meu sangue, minha gargantaO veneno do mal não acha passagem"
(Maria Bethânia - Carta de Amor)

Um comentário:

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