domingo, 15 de novembro de 2015

Aquela gargalhada

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Quando você faz uma mudança muito brusca na sua vida e rompe com todas as expectativas que os outros colocam sobre você, é natural que as pessoas se assombrem. Quando você diz que eram mudanças que você queria realizar faz tempo, elas se assombram um pouco mais. E aí, te perguntam: quando foi que você se deu conta de que estava tudo errado?

Por semanas, não soube responder. Mas há poucos dias, em uma mesa de bar, ouvindo o som da minha gargalhada, reconheci o exato momento. Vi que tudo estava errado quando, há meses atrás, também em uma mesa de bar, ouvi o som da minha própria risada e ela era diferente de todas as outras. Me peguei pensando "eu não conhecia esse riso", e então eu quis conhecer.

Quis conhecer o riso fácil e solto, descompromissado, livre. E também quis conhecer o que me fazia assim, tão leve. "Carpe diem", "you only live once", "só se vive uma vez". Agarrei pela mão tudo que me faz sentir viva.

Assim como quis descobrir qual era o som do meu verdadeiro riso, quis descobrir quem era, de fato, o meu verdadeiro eu. Do que ele gostava, pelo que ansiava, o que o entristecia. Ele. Não o eu fabricado para atender a todas as expectativas do mundo - e àquelas que eu achava que eram minhas, mas que foram impostas por ele. 

O caminho não é cheio de flores. Passa também por encarar sua nudez de frente - suas fraquezas, seus traumas, seus defeitos. E assumi-los para si e para o mundo. Assumir que sim, talvez você não tenha controle sobre seus sentimentos, talvez seja um pouco egoísta, intensa, medrosa. E daí? 

A frase que eu mais repito mentalmente de uns tempos para cá é "lide com isso". Lide, lide, lide. Porque sofrer não adianta e tentar mudar ou esquecer certas coisas tampouco.

Foi uma gargalhada solta em meia a muitos amigos que me fez tirar a venda. Foi como se, em um piscar de os olhos, eu enxergasse as cores mais vivas, os contornos mais nítidos. E como se crescesse em mim uma vontade intensa de correr o mundo conhecendo cada detalhe dele e de mim. E que sorte a minha poder fazer isso. Que sorte. 

Que sorte a minha ter dado aquela gargalhada. Que bom ter me feito sorrir. 

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