quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Em cima da hora



Faltam 15 minutos para eu estar atrasada para a aula e, ainda assim, meus dedos passam pelas teclas e não podem se conter. E essa não é uma metáfora, embora facilmente pudesse ser: essa sou, sempre tão impulsiva, sempre tão em cima da hora, sempre prestes a passar do ponto

Caminhando na corda bamba, confiando cegamente que os instintos não me deixarão cair, ignorando no inconsciente uma verdade crucial: os instintos nos traem. Traem tanto que provavelmente eu só me dê conta de que preciso desligar o computador e sair de casa em cerca de 17 - e não 15 - minutos.

É sempre por pouco que eu erro. Mas erro.

E se me perguntarem o motivo, haverá dezenas de respostas prontas. Todas muito responsáveis, muito seguras, muito objetivas. "Estava terminando um trabalho", "perdi a hora lendo alguns textos", "o trânsito de uma grande cidade". Uso todas para não dizer o que realmente acontece: eu quase nunca consigo me conter.

Não consigo conter os dedos tamborilando no teclado, não consigo conter o coração que adora a sensação de querer sair pela boca, a vontade de experimentar, experimentar, experimentar mais um pouco e ser livre. Os instintos me traem quase sempre. E um dia eu percebi que tinha que lidar com isso. 

Percebi que não importa quanto tempo eles passem adormecidos, controlados e seguros, na primeira oportunidade que têm, saem correndo em disparada para o novo e para tudo que me faz perder a cabeça, a hora, às vezes a razão. A eterna e constante busca pela adrenalina... Ah, como controlar? Quero fazer isso? Preciso mesmo? 

Preciso. Porque viver à flor da pele é lindo nos filmes, nos livros, nas utopias e nos sonhos - aqueles em que fazemos o que bem entendemos, completamente seguros de si. Mas adrenalina não tem a ver com segurança. Não tem a ver com estar certo do que está fazendo e do que virá depois.

E é o depois que mata. É o depois que tortura. É descobrir o que você faz com o que vem depois da liberdade. 

Ainda bem que a montanha-russa não para e que logo haverá outros momentos, mais adrenalina, mais mariposas na barriga. E haverá mais tortura perante o depois também. O ciclo quase nunca tem fim. E aos que conseguem fazê-lo parar, eu só consigo perguntar: Dá para ser feliz assim? Eu ainda não decidi se quero. 


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