quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sobre borboletas



Tem manhãs em que eu acordo e me permito ficar pelo menos uns cinco minutos no escuro do quarto. É que às vezes eu abro os olhos e tenho certeza que estou na cama de cima da beliche do meu quarto, na minha casa, e me bate uma vontade tremenda de curtir cada segundinho dessa fantasia.

Todo dia quando eu acordo, mesmo antes de pensar na beliche lá de casa, eu me esforço para lembrar de como era acordar com você. E eu quase posso sentir como se fosse mesmo verdade

Às vezes pego o metrô e enquanto olho as janelas tenho a nítida impressão de que os trilhos vão iniciar a subida e logo verei as ruas da Ricardo Jafet enquanto desço na estação Santos-Imigrantes. E mais uma vez, me permito a sensação de estar em casa por alguns minutos.

Conversando com uma amiga um dia desses, chegamos a conclusão de que, quando estamos longe de casa, a saudade é como uma mochila pesada que a gente carrega sempre com a gente. É verdade que, com o tempo, a gente se acostuma com o peso. Tem dias que a gente até esquece que a está carregando. Mas é verdade também que, lá no fundo, a gente tem a certeza de que qualquer pequena lembrança pode torná-la difícil demais de carregar.

Às vezes é uma música. Às vezes um momento bacana que eu gostaria muito de estar compartilhando com alguém. Às vezes é um sonho no meio da noite. Ou às vezes é só um pensamento e uma lembrança que não dá para evitar. 

Mesmo nas noites mais legais, de música, amigos e bebedeira, tem sempre uma vozinha que lá no fundo me diz "o momento vai chegar". E sempre chega. O momento em que eu preciso ir ao banheiro, olhar no espelho e pensar "continue firme", enquanto eu sinto um desejo imenso de voltar para a pista e encontrar os amigos de toda uma vida. 

O bom é que a gente se acostuma. A gente se apega à certeza de que haverá o reencontro e começa a pensar em como vai ser quando sentirmos saudades de tudo que deixaremos aqui e para o qual, é quase certo, não haverá regresso. E começa a querer viver cada dia com mais intensidade - tanto para aproveitar cada minuto do que estamos vivendo quanto para fazer o tempo passar mais depressa, é verdade. 

E dia após dia o peso da saudade vai se assentando. Tem dias que são mais difíceis que os outros. E para esses graças a Deus existem dezenas de soluções, que vão dos áudios do whatsapp até a vídeo-chamada do Skype. Mas o toque faz falta. Seu toque faz falta. 

Tudo isso para explicar uma frase que me caiu muito bem essa semana: "Sobre estar só: tenho certeza que algumas borboletas já desejaram voltar para os casulos" (Zack Magiezi).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diz o que achou :)