quinta-feira, 21 de abril de 2016

Escuta seu coração


"Always trust your first gut instincts. If you feel something's wrong, it usually is."

Eu tenho sérios problemas de concentração e foco. Sou daquelas que, no meio da aula de Excel, lembra que há dois anos tinha o plano de montar um blog sobre culinária e se põe a procurar receitas para cozinhar. O final da história é clássico: perco a aula e não cozinho nada.

Parece comum. Todo mundo conhece alguém com dificuldade de concentração. Todo mundo tem dificuldade de concentração de vez em quando. Mas, para mim, isso quer dizer apenas uma coisa: ansiedade.

Logo que você descobre que tem um transtorno de ansiedade e começa a tratá-lo, uma das primeiras coisas que você aprende é que deve se atentar aos sinais. Quando a ansiedade começa a ultrapassar certos limites, o seu corpo avisa.

São sinais que, muitas, vezes são discretos. Pode ser a dificuldade de concentração - que estava me incomodando desde que voltei a estudar -, pode ser o sono agitado, pode ser a falta ou o exagero de apetite. Com o tempo você aprende a escutá-los.

E chega um dia em que, depois de aprender a identificar, prevenir, evitar e lidar (se necessário) com uma crise de ansiedade, você acha que se livrou dela. Você acha que tem tudo sob controle. Que aquelas crises de taquicardia, enjôo e total descontrole… Você acha que elas não vai mais acontecer com você. Que você fez a lição de casa, aprendeu o que precisava aprender e está imune.

E aí pode ser que, por descuido, presunção ou inocência, você deixe de escutar. Você ignore a dificuldade de concentração, os picos emocionais, o sono agitado, a falta de apetite… Pode ser só um cansaço físico, pode ser o clima, pode ser um estresse temporário. Às vezes pode ser só ressaca.

O inferno são os outros, você pensa. É seu amigo que anda mal humorado, é seu namorado que te irrita, é sua mãe que é inconveniente.

Você sabe que existe algo errado (porque, ainda bem, o que aprendeu em anos de terapia não se esquece totalmente por descuido, presunção e nem inocência), mas não sabe o que. E o mais irônico é que isso piora tudo.

A notícia boa é que logo você descobre o que é. A ruim é que não é da melhor maneira. Quando você começa a reconhecer os sinais, a crise já começou. E quando a ansiedade te pega indefeso e desprevenido… Bom, não é legal.

Não é legal porque, além de tudo, a culpa que sempre vem depois da crise também é maior. É uma situação de impotência misturada com a frustração - você se achava imune, lembra? E quase escuta seu corpo dizer “Eu avisei! Eu avisei!”.

Fica, uma vez mais, a lição. Sempre confie em seus primeiros instintos. Se você genuinamente sente em seu coração e em sua alma que algo está errado, geralmente está.

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