terça-feira, 24 de maio de 2016

Eu te mostrei




Eu te mostrei como eu sorrio por nada em dias de sol e calor. Te mostrei como eu sou extremamente preguiçosa quando faz frio ou chove. Como faço manha por tudo quando estou doente e como me faço de forte quando estou em pedaços.

Te mostrei como meus olhos ficam vermelhos, mas também mais verdes, quando choro. Como sou terrível na arte de disfarçar o que sinto. Como meus olhos ficam pequenos quando estou com sono.

Te mostrei que gosto de dormir de lado, preferencialmente virada para a direita. Que enrolo na cama até estar atrasada. Que sucrilhos com mel é o meu café da manhã favorito.

Te mostrei minha casa. E também quem é minha família e quem são meus amigos. Te convidei para entrar no meu mundo quando eu mesma estava tentando fugir dele.

Te mostrei que sou desorganizada, mas não bagunceira. Que sou indecisa nas pequenas e grandes coisas. Que continuo deixando meu cabelo liso mesmo que você o preferisse enrolado. Que bêbada sou um pouco incontrolável.

Te mostrei como sou frágil quando estou mal de verdade. Como sou ansiosa, dependente e agressiva quando estou em crise. Como me culpo por isso todos os dias e como preciso de um ponto de apoio nesses momentos, cinco minutos ao telefone que sejam, só para ter certeza de que o mundo ao meu redor não desapareceu.

Te contei meus traumas. Os que contei para quase ninguém. Te mostrei toda a minha luz. E também toda a minha escuridão.

Te contei meus sonhos, minhas ambições, meus sucessos e meus fracassos. Minhas inseguranças constantes, minha fé, minhas certezas.

Pensando bem, não tem nada que eu não tenha te mostrado. Um pouco porque a transparência sempre foi meu ponto fraco, e outro tanto porque confiei em você. Porque eu estava tão perdida na minha busca... E você era meu cais. E porque eu esqueci que a salvação não pode estar nos outros, tem que estar na gente. 

Te mostrei minhas tatuagens e também minhas cicatrizes. 

Você não me salvou e tampouco fez caso do mundo que eu te mostrei. Tornou-se só mais uma cicatriz. Uma dessas que talvez um dia me dê vontade de mostrar para outro alguém. 

Ou não. Não vale a pena.

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