quarta-feira, 18 de maio de 2016

Fincar raízes

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Faz dois anos que faltam dois meses para eu voltar para o Brasil. E fazia cinco que faltavam três. Nove que faziam seis. E assim por diante...

As pessoas sempre me olham um pouco incrédulas e me fazem um par de perguntas quando digo que quero voltar para o Brasil - o quanto antes, é verdade.

E eu as digo que sim, eu me adaptei. Sim, eu fiz ótimos amigos. Sim, eu vivi ótimos momentos. Sim conheci lugares incríveis. Sim, tenho lembranças para uma vida toda. Obrigada. De nada.

Sempre me incomodou muito, profundamente, o fato de nem eu mesma entender o que é que não me convencia em Madrid - e provavelmente não me convenceria em Roma, Paris ou Berlim. 

Eu passei meses me apegando a diversos motivos, sejam eles amorosos ou profissionais. E nenhum deles me fazia sentir segura para voltar. Tampouco me pareciam fracos o suficiente para ficar. 

Mas depois que todos os motivos em que eu me apeguei caíram por terra bem na minha frente, eu pude entender a razão. E a razão tem a ver com raízes.


"Mude suas opiniões, mantenha seus princípios. Troque suas folhas, mantenha suas raízes."
(Victor Hugo)

 Não importa o lugar em que você esteja, não importa quão longe estiver dos seus, você arrumará uma maneira de se sentir feliz e pleno se ali conseguir fincar raízes. E acredito, sim, que você possa criar raízes em diferentes lugares - umas mais fortes, outras nem tanto.

Eu reconheço que plantei, reguei e adubei o que podia por aqui, mas não consegui fincar nenhuma raiz que me fizesse permanecer. Nenhuma que seja mais forte que as que me fazem querer voltar para casa - minha família, meus amigos, meu lar.

Não me culpo. Também não desejo que seja diferente. Acho que o fato de sermos livres para ir onde quisermos também nos dá o direito de voltar para onde pertencemos. 

E voltar também é difícil depois que se foi. Depois que já não se é a mesma pessoa. 

Fazem dois anos que faltam dois meses para eu voltar e fazem dois anos que já é difícil pensar em retomar minha vida da onde eu parei. Porque eu não parei. Eu continuei vivendo, evoluindo, errando, aprendendo. E dá uma ansiedade tremenda tornar-se outra pessoa e voltar para o mesmo mundo. 

O problema é que para fazer permanecer a pessoa que eu me tornei, é preciso raízes fortes. E vou voltar, logo logo, para elas. Para mim. Por mim. Como sempre deveria ser. 

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