sexta-feira, 6 de maio de 2016

O terremoto



Ao longo dos últimos anos eu testei diversas técnicas e diferentes linhas de pensamento que podem ajudar a frear a ansiedade. São exercícios de respiração, terapias ocupacionais, maneiras de pensar... Muitas ajudam, outras não adiantam nada e algumas, poucas, funcionam de verdade. 

Entre todas as tentativas, a que mais deu certo surgiu depois de ler um texto que achei por acaso na internet, no blog da Karina Werneck. Era sobre o clichê de que a gente é responsável pela energia que transmite. Era sobre o clichê, mas não era clichê. Falava sobre ser responsável pelo que transmitimos e sobre como o que transmitimos muda um ambiente. E sobre como isso muda tudo.

"Logo, se você entrou numa sala com outras pessoas, a sala com você lá dentro não é mais a mesma de antes, a sala sem você. Por isso, nós fazemos mais diferença que imaginamos."

Estar ansiosa, e estar consciente sobre isso, é uma luta constante. Primeiro, para reconhecer os pensamentos que não são seus, mas da ansiedade. Depois, para combatê-los e não deixar-se levar por eles. E por mais que você deixe de ser inteiramente você nesses momentos, a única coisa em que você pode se agarrar nessa hora é em você mesmo. É em como você pode - pode sair dessa, pode fazer a diferença, pode lidar com a situação.

Eu ansiosa sou pessimista. Eu ansiosa tenho que lembrar que as coisas não vão acabar mal, porque dependem de mim. E que se saírem, tudo bem também, porque seguir em frente também depende igualmente apenas de mim.

Eu ansiosa sou dependente. Eu ansiosa tenho que lembrar que não importa o quão importante alguém seja para mim, eu, sozinha, me viro, vivo, me basto. 

Eu ansiosa sempre acho que o inferno são os outros. Eu ansiosa tenho que lembrar que sou eu a responsável pelo ambiente em que estou. E que mesmo se os outros me fizerem mal, sou eu a responsável pelo que fazer com isso. 

Eu ansiosa sou só. Por que por mais que os outros possam me ajudar - e, de fato, ajudam -, só eu posso sair do buraco escuro onde a ansiedade me mete. E eu posso. 

Estar ansiosa, e estar consciente disso, é como estar em meio a um terremoto enquanto se agarra a um fio frágil que é o único que pode te fazer sobreviver: você mesmo. E é crer, em meio ao caos, que esse fio não vai arrebentar. 

Está longe de ser fácil. Mas ninguém disse que seria. Seguimos tentando.

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