segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Feminismo: não aplauda o algoz



Hoje eu li na internet um texto de um cara machista — e posso dizer com propriedade que ele não apenas é machista, como também é abusivo em seus relacionamentos — falando sobre feminismo. E eu engoli seco. Fiquei pensando quantos likes ele recebeu. Quantas meninas passaram a achá-lo incrível. Quão inflado ficou o ego dele depois dos ‘parabéns’ que ele deve ter recebido.

E aí, eu entendi. Eu entendi porque o texto do Duvivier é ruim. Porque o fanfic do cara que ‘libertou’ uma mulher na sua primeira vez depois de ter sido estuprada é um lixo. É porque a gente segue batendo palma pra cara que, por trás da tela do computador, continua oprimindo a namorada, a amiga, a colega de trabalho, etc.

O cara que diz que não se importa com o tamanho da saia da namorada na balada, mas que faz ela se sentir culpada pelo número de cervejas que tomou, pelo conhecido com quem trocou meia dúzia de palavras numa festa qualquer. O cara que entende tudo de feminismo nas redes, mas que, quando está sozinho com a namorada, diz que a militância dela “é radical demais”.

Esse cara é o esquerdo-macho que posa de descontruído na internet. Que diz que não quer roubar o protagonismo das manas, e provavelmente não quer mesmo, porque quer só arrumar mais uns contatinhos — com sorte você não se torna namorada dele e mantém sua sanidade.

Esse cara não merece aplauso, não merece biscoito, não merece parabéns. Porque enquanto ele posa pra foto, a mana que sofreu um bocado por causa dele tá tentando seguir a vida sem o trauma do abuso psicológico que viveu — se agarrando a um feminismo que muitas vezes bate palma pro algoz.

Não compactuem com isso.

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