segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Bon voyage


São aqueles dois segundos que você permanece grudado em mim enquanto recupera o fôlego. Quando eu fecho os olhos e sinto a dor chegar porque queria que eles durassem meia hora, mas não duram. 

É o meu fechar de olhos quando te vejo com outra. Quando a culpa me invade por saber que, se eu tivesse resistido, poderia ser eu — como foi por tanto tempo, lembra? 

É a luta entre o buscar ou desviar o olhar de todo e qualquer boné parecido com o seu que passa pela minha frente. É ficar desconcertada quando te encontro e também quando não. 

São todos eles. É cada um deles. Cada um desses breves instantes que me lembram: você os manteve aqui, você não os deixou seguir — e é por isso que também não segue

Porque eu ainda levo duas malas de 32 quilos lotadas quando vou morar em outro país, sem deixar espaço pro que de novo vou querer trazer na volta. 

Dá medo aprender a viver sem o que foi tão nosso. No fundo, a gente pensa que nunca vai encontrar um casaco mais quente, um perfume mais doce, um amor maior. 

Dá medo passar frio. Dá medo esquecer do cheiro. Dá medo viver sem amar. Mas carregar excesso de bagagem também tem seu preço

Pode sair do meu abraço, de novo e de novo. Pode seguir sem mim. Pode passar por mim como passa um desconhecido.

Eu despachei a bagagem. Na mochila de mão, não cabem mais essas dores.

Bon voyage para nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diz o que achou :)