segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Looping

Poeta Sérgio Vaz
Tem uma frase, dessas bonitas que circulam pela internet, que diz que a gente aceita o amor que acha que merece. 

Dia desses, li um trecho de um texto que dizia que muitas vezes a gente não consegue esquecer ou perdoar alguém porque nunca para de culpá-lo: a gente nunca questiona o porquê de precisarmos passar por isso ou qual o nosso papel naquilo tudo. 

Parei para pensar sobre papeis. Sobre os papeis que a gente ocupa na nossa própria vida e aqueles que a gente ocupa na vida dos outros. Voltei ao raciocínio anterior: são os papeis que a gente se permite ocupar. 

No looping eterno do dedo apontado para o outro, o ponto de partida é sempre o mesmo: a gente. A gente aceita o que acha que merece e depois culpa o mundo dizendo que queria mais. Machucamos a nós mesmos muito mais do que os outros. 

Tem um outro texto, mais antigo, que diz que a gente se acostuma embora não devesse. A gente se acomoda. Uma mistura de medo do novo com pavor de perder o que já é certo. Triste que só. 

Chega um instante em que a gente olha ao redor e tem medo de pedir mais - ou porque está acomodado ou porque acha que aquilo é o que merecemos. E não sai do lugar. Permanece ali, maldizendo Deus, os astros, os amigos, os inimigos, amores e desamores. 

É o outro que não te dá o que você quer, não é você que se acomodou com o que ele oferece. 

A gente cria um bocado de expectativas que, quando não são atendidas, são sufocadas. 

A gente aceita o que acha que merece e, na maioria das vezes, a gente acha que merece muito pouco. 

Vez ou outra é que a vida dá um chacoalhão e a gente percebe que quer e merece muito mais. E se incomoda. E incomodar-se é bem mais doloroso que acomodar-se. 

Para o nosso azar, no entanto, é necessário. Para nossa sorte, também libertador.

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