domingo, 4 de dezembro de 2016

Decida

Meredith Grey - Grey's Anatomy
"Então faça isso. Decida. Essa é a vida que você quer viver? Essa é a pessoa que você quer amar? Esse é o melhor que você pode ser? Você pode ser mais forte? Mais gentil? Mais cheio de compaixão? Decida. Inspire. Expire e decida."

*

Há poucos dias, ouvi de alguém especial que a vida pode parecer estagnada por longos períodos quando a gente se recusa por muito tempo a tomar uma decisão.

Pude sentir o soco no estômago. Ouvi a consciência gritar que eu estive adiando escolhas por muito tempo - evitando inclusive sequer pensar sobre elas.

Eu podia dizer que sou de libra e que todo o meu mapa astral mostra claramente que tomar decisões é um lance difícil para mim. Mas dessa vez não dá para culpar os astros.

O primeiro passo, que vem antes de fazer uma escolha ou mudança, é reconhecer que você não está satisfeito. Isso, por si só, incomoda. Incomoda porque na maioria das vezes você não está satisfeito e a culpa disso é sua: não importa o que os outros fazem para você, mas o que você faz com o que os outros fazem para você, já dizia Jean-Paul Sartre.

É desconfortável perceber que a sua vida não está como você gostaria que estivesse quando sabe que tudo é resultado das escolhas que fez lá atrás. Incomoda assumir que o amor machuca quando sabe que a gente ocupa na vida dos outros - e os outros ocupam na nossa - os papéis que a gente se permite ocupar.

Depois, incomoda mudar. Incomoda chacoalhar o tabuleiro. Mesmo quando ele está uma bagunça, aquela é a sua bagunça - todo mundo se entende na sua própria desorganização. Chacoalhar sempre tira tudo do lugar. E dá trabalho arrumar.

Mas tem horas que a vida para. Que o ponteiro do relógio parece pesar uma tonelada. Que as horas, os dias, os meses se arrastam. Nada sai do lugar. Tudo e todos parecem fincados ao chão num instante eterno e atemporal.

E a gente espera, desesperado, um movimento. Um sinal. Um impulso qualquer que venha de onde quer que seja. Um chacoalhão repentino do destino - porque aí não vai ser nossa culpa a bagunça, verdade?

Mas não tem destino ou astrologia que seja responsável pelas decisões que só a gente pode tomar. Pela vida que só a gente pode conduzir. Pelas escolhas, dolorosas, porém necessárias. O impulso vem de dentro.

Decida. Inspire. Expire e decida.

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