sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Deixa estar

Reprodução: Tumblr

Hoje é sexta e eu estou bebendo desde segunda. Passei a semana inteira desviando de uma dezena de pensamentos que vinham em minha direção mais rápidos que qualquer carro de Fórmula 1. Cochilei no metrô e estou quase certa que, ainda que de olhos fechados, esboçava um sorriso depois do beijo de despedida na catraca do metrô.

Cheguei em casa, tirei a roupa, comecei a pensar: já percebeu como é difícil viver um amor que seja real? 

Sempre gostei de estar apaixonada. De sentir a taquicardia, o frio na barriga, o gelado nas pontas dos dedos. Costumava dizer por aí que não havia o que pagasse as borboletas e o revirar do estômago.

Me apaixonei por um monte de caras que, embora tivessem dezenas de diferenças entre si, coincidiam em algo importante: também eram loucos por mim. Me faziam crer que me queriam pra sempre, embora a gente saiba que, no fundo, desejo nenhum é eterno. Idealizavam comigo um amor de conto de fadas, de filmes românticos, de novelas com final feliz.

E sempre foi muito fácil amar desse jeito. Amar não necessariamente como quem quer ficar junto pra sempre, mas como quem sabe que pode fazer isso se quiser. Amar como quem está certo de que tem um porto seguro no meio da tempestade, um cais em pleno alto mar.

Idealizar um amor é fácil. Viver a realidade, nem tanto.

Na realidade, nada é pra sempre. Não há certezas ou garantias. Na realidade, a única coisa que a gente tem é o hoje. Hoje a gente quer estar juntos, então estamos. Amanhã, semana, mês ou ano que vem, sei lá, deixa estar.

Me lembro da mania que eu tinha de dizer que tudo aquilo que tiver que ser, vai ser. Não à toa minha primeira tatuagem foi "maktub". Aí chegou você e me disse que, na verdade, tudo aquilo que a gente quiser que seja, vai ser. Na velha briga entre o destino e o livre arbítrio, a única certeza real é o que a gente tem hoje.

Vivi meia dúzia de paixões que me tiraram o ar. Planejei casamentos, inventei nome para os filhos, desenhei mentalmente plantas de casas e apartamentos. Não tinha ideia de quão desafiador - e libertador - é viver um amor só por hoje, só nesse instante, só enquanto a gente quiser - sem promessas de que a gente vai querer pra sempre.

Não sei se eu vou te querer por toda a vida para sempre. Mas hoje te quero com tudo que eu posso. E isso basta.

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