quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Clareza

Reprodução: TCD/Facebook

Este foi o primeiro ano em muitos que não começou com uma lista de metas para cumprir. Em partes porque, é verdade, faz tempo que eu não sei muito bem o que eu quero. Mas acho que tem aí também um cuidado grande em não prometer - ano após ano - o que só vai frustrar a gente se não conseguirmos cumprir.

A única meta que realmente tracei para 2017 - e para a vida - parece ser bem simples: ser clara. 

Faz semanas que eu penso sobre isso. Sobre como não sou clara comigo e muito menos com os outros. Sobre como fico constantemente calada ou como me comunico muito mal sobre aquilo que eu quero.

E é sobre o que eu quero, não sobre o que eu penso. Porque eu posso passar horas tecendo comentários sem fim enquanto exponho aquilo que eu penso ou acredito. Mas é indescritivelmente difícil me impor quando tenho que falar sobre aquilo que eu quero, espero, desejo. 

Às vezes é por medo de me machucar. Às vezes é por medo de machucar o outro. Mas na maioria das vezes é só por temer incomodar mesmo. Por achar que isso pode causar atritos e, por isso, já tentar evitá-los de antemão. 

Eu já quis terminar um namoro e o arrastei por meses para evitar o sofrimento. Eu já quis mandar um amigo à merda por coisas que ele fez sem talvez sequer se dar conta, mas fiquei calada para evitar a discussão. Eu já quis desesperadamente um beijo, um abraço, um carinho e me mantive em silêncio porque pensei que incomodaria alguém. Eu sempre penso que vou incomodar. 

E eu incomodei. Incomodei porque fiquei com alguém sem ser ou fazê-lo feliz. Porque dor, quando se torna raiva, não passa. Porque amor, se não é demonstrado, não existe para o outro alguém. 

Deixei de dizer um monte de "não" nessa vida. E todos eles, se tivessem sido ditos, teriam me economizado um bocado de tempo e de choro. Agradar os outros custe o que custar custa caro. 

É por isso que minha única meta este ano é ser clara. É deixar claro o que eu penso, o que eu quero o que eu sou. É dizer "não" quando eu tiver vontade de dizer "não". É dizer "quero" quando eu realmente quiser. É dizer "vai à merda" ou "foda-se" quando alguém de verdade merecer. E dizer "eu te amo" sempre que me der na telha. 

Não tem nada mais simples. E, às vezes, nem tão difícil. 

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