segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O verdadeiro significado de Maktub



Dia desses contei para uma amiga — aquela maluquinha, mas gente boa — nossa história. Ela disse que eu deveria escrever um texto sobre o real significado de “Maktub”.

Maktub, que em árabe significa “estava escrito”, foi a primeira coisa que tatuei, ainda adolescente, quando tinha 18 anos. E desde então, todos aqueles que vieram antes de você tentaram usurpá-lo. “Maktub a gente se conhecer tão jovem”, eles diziam. “Maktub a gente ter se encontrado tão de repente”, repetiam. Ou “Maktub esse sofrimento todo que te causei e pelo qual não quero assumir a responsabilidade”, eles davam a entender.

Mas você, descrente de tudo — de Deus ao amor— , nunca disse que nossa história estava escrita. Quando eu te disse, naquele momento em que tudo era incerteza, que o que tivesse que ser haveria de ser, você logo rebateu: o que a gente quiser que seja, vai ser, Bárbara.

Você não acredita em grandes histórias de amor, dessas que vencem a distância, o tempo e o acaso. Mas é justamente o que somos: fruto de tudo que restou depois que passamos por tudo isso.

Há dez anos você se despediu de mim com um beijo, no meio da rua, depois de cruzar uma avenida inteira com os braços ao redor dos meus ombros. Um único beijo. Nem uma única palavra. Não fosse a minha boa memória — ou o meu chip de 64 gb, como você gosta de brincar — , talvez a gente nem se lembrasse. Matkub, será?

Nove anos depois a gente se encontrou, na mesma avenida, quase no mesmo lugar. E se eu não tivesse reparado em você fumando do lado de fora quando saí do banheiro, tudo poderia ser diferente. Talvez a gente tivesse permanecido naquela mesa, rindo com nossos amigos, e eu nunca tivesse te olhado diferente. Há grandes chances de eu nunca ter reparado no jeito que você me fazia rir — e de como eu não me lembrava de rir assim antes.

Você foi a gota d’água. O impulso que eu precisava para abandonar tudo aquilo que eu não conseguia largar. Foi a desculpa perfeita. Foi libertação. A única coisa que eu precisava fazer era não me apaixonar. Mas quem me conhece sabe bem: eu não sou do tipo que não se apaixona.

Por sorte ou azar, ou simplesmente destino, a gente tinha só 45 dias. E quando eles acabaram, depois de muitas noites de bares, cervejas e hotéis, a sua mensagem de “boa viagem” para mim soava mais como um adeus. Maktub de novo?

Fazia frio e eu estava atrasada para aula quando surgiu na tela do meu celular uma mensagem sua falando sobre o seu dia. Eu respirei fundo. E respiraria outras centenas de vezes quando, por meses, ainda que estivéssemos em pontas distintas do oceano, você dividisse o seu dia comigo. Quando dissesse que sentia minha falta e que não encontrava em ninguém o que havia encontrado em mim. Das lembranças dessa época, tenho uma muita clara: eu dizendo que iria atrás de você assim que voltasse e você dizendo que eu não precisaria, porque você estaria ao meu lado.

Eu tinha ido embora uma vez, mas você, com um fio invisível, ainda segurava minha mão. Mas eu a larguei. Eu fui embora de novo. Fui embora porque eu não conseguia acreditar que duas pessoas tão diferentes pudessem ficar juntas—a nossa comunicação, baby, sempre foi péssima.

A partir daí a vida ficou complicada. A gente se perdeu e se encontrou em outros braços. Foi intenso. Foi insano. Me quebrou em pedaços. Me destruiu. Mas também me fez dar valor para as coisas certas. É. Estava escrito.

Eu não pensei que a gente pudesse voltar a ficar juntos, sabe? Quando eu te vi naquele bar nas minhas boas-vindas eu pude sentir o soco no estômago. Das coisas que te disse bêbada, só lembro do encontro que marcamos para a semana seguinte: uma mesa de bar e uma Paulistânia gelada.

Desde então, aconteceu tudo aquilo. Tudo que a gente relembra em quase todo encontro: muitos erros (60% meus, 40% seus?), muitas falhas de comunicação, e também muitos momentos bons (que incluem você dormindo no meu colo e eu te fazendo carinho nas costas). Demorou. A gente sofreu para achar o ritmo — eu na minha correria, você na sua calma.

Mas aqui estamos. Aqui estou. Aprendendo tanto com você, como você nem imagina. Te querendo tanto, como você não faz ideia. Finalmente crente de que duas pessoas tão diferentes podem não só ficar juntas, mas serem felizes. E eu sou tão feliz com você.

Pode ser que estivesse mesmo escrito. Mas se não estiver, a gente escreve. Uma história cheia de rasuras, vírgulas e reticências, sim. Mas, por enquanto, sem previsão de ponto final. Te amo.

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